Erros Comuns Sobre o Autismo que são Prejudiciais
Desmistificando o Espectro
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Marcos Luan
1/7/20264 min read


Apesar do aumento significativo na disseminação de informações sobre o autismo nos últimos anos, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é cercado por mitos e estereótipos que prejudicam a inclusão e o bem-estar dos indivíduos. Esses erros de percepção não são apenas "opiniões equivocadas"; eles têm consequências reais, gerando isolamento social, diagnósticos tardios e tratamentos inadequados.
Entender o autismo sob a ótica da ciência e do respeito à neurodiversidade exige que abandonemos ideias obsoletas. Abaixo, analisamos os erros mais comuns e por que eles precisam ser combatidos.
1. O Mito da "Cura"
Talvez o erro mais persistente e perigoso seja a ideia de que o autismo é uma doença que pode ser curada. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento, o que significa que o cérebro do autista se organiza e processa informações de uma forma diferente da padrão (neurotípica).
Não existe "cura" para uma configuração neurológica. O foco nas terapias deve ser sempre o desenvolvimento de autonomia, a melhoria da comunicação e a redução de sofrimentos (como crises sensoriais), e não a transformação do autista em uma pessoa neurotípica. Promessas de curas milagrosas por meio de dietas restritivas extremas, ingestão de substâncias perigosas (como o MMS) ou tratamentos sem evidência científica são práticas fraudulentas que colocam vidas em risco.
A Revista Autismo reforça que o autismo faz parte da identidade da pessoa, e a busca deve ser por aceitação e suporte, não por eliminação da condição.
2. A Falácia da Falta de Sentimentos e Empatia
Um estereótipo comum, muitas vezes reforçado por filmes e séries, é o de que autistas são "frios", "robóticos" ou incapazes de sentir empatia. Isso é categoricamente falso.
Muitas pessoas no espectro experimentam a hiper-empatia — elas sentem a dor ou a alegria do outro de forma tão intensa que podem se sentir sobrecarregadas e "travar" como mecanismo de defesa. O que ocorre é uma dificuldade na expressão social dessa empatia de acordo com as normas convencionais. O autista pode não saber como consolar alguém usando palavras, mas pode oferecer um objeto de interesse ou simplesmente estar presente.
3. A Teoria das "Mães Geladeiras" e a Culpa Parental
Na década de 1950, teorias psicanalíticas infundadas sugeriam que o autismo era causado por mães frias e distantes que não davam afeto suficiente aos filhos. Esse erro causou traumas profundos em gerações de famílias.
Hoje, a ciência confirma que o autismo tem uma base predominantemente genética. De acordo com o Ministério da Saúde, fatores hereditários e biológicos são os principais determinantes. Atribuir o autismo à criação dos pais é um erro cruel que ignora décadas de avanços na genética e na neurobiologia.
4. O Estereótipo do "Gênio" ou do "Incapaz"
O público costuma oscilar entre dois extremos: acreditar que todo autista é um gênio com habilidades matemáticas incríveis (o fenômeno Savant) ou que todo autista é incapaz de viver em sociedade.
Ambos são prejudiciais. O espectro é vasto. Existem autistas com deficiência intelectual associada e autistas com altas habilidades, mas a grande maioria está em um perfil variado de competências. Ao esperar que todo autista seja um "gênio", ignoramos as lutas diárias daqueles que não possuem habilidades excepcionais. Ao tratá-los como incapazes, negamos-lhes o direito ao trabalho e à vida independente.
5. "Ele não parece autista": O erro do julgamento visual
O autismo é uma deficiência invisível. Não existem traços físicos que identifiquem uma pessoa no espectro. Dizer a alguém que ela "não parece autista" é invalidar suas dificuldades e os esforços hercúleos que ela faz para se adaptar (processo conhecido como masking).
Muitos adultos, especialmente mulheres, passam anos sem diagnóstico porque conseguem camuflar seus sintomas, o que gera um enorme esgotamento mental. O julgamento baseado na aparência impede que pessoas que precisam de suporte recebam acomodações em ambientes públicos ou de trabalho.
6. A Relação Inexistente com Vacinas
Este é um dos erros mais prejudiciais à saúde pública mundial. Um estudo fraudulento de 1998 sugeriu uma ligação entre a vacina tríplice viral e o autismo. Apesar de o estudo ter sido retratado e o autor ter perdido sua licença médica, o mito persiste.
Inúmeras pesquisas globais, incluindo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), provaram que não há vínculo entre vacinas e autismo. Perpetuar essa mentira desencoraja a vacinação e coloca a sociedade em risco de surtos de doenças erradicadas, sem qualquer benefício para a compreensão do TEA.
7. Achar que o Autismo só afeta Crianças
O foco excessivo na infância faz com que a sociedade esqueça que crianças autistas tornam-se adultos autistas. O apoio não pode terminar aos 18 anos. Existe uma carência imensa de políticas públicas para o mercado de trabalho, moradia assistida e envelhecimento da população autista.
A Lei Berenice Piana garante direitos por toda a vida, mas a prática social ainda falha em reconhecer as necessidades do autista adulto, que muitas vezes é visto apenas como "excêntrico" ou "difícil", quando na verdade precisa de adaptações ambientais.
8. Tratar Comportamentos Sensoriais como "Birra"
Quando uma criança autista entra em crise (meltdown) em um supermercado por causa das luzes ou do barulho, o erro comum é julgar como falta de educação ou "mimo".
Uma crise de autismo não é um comportamento manipulador para conseguir um brinquedo; é um colapso neurológico causado por sobrecarga. Oferecer ajuda ou espaço, em vez de olhares de julgamento, é a atitude correta. O julgamento social aumenta a ansiedade dos pais e o isolamento da criança.
Conclusão
Combater esses erros é uma tarefa diária de educação e empatia. O autismo não é uma tragédia a ser lamentada, mas uma parte da diversidade humana que exige compreensão. Quando substituímos o mito pela ciência e o preconceito pela convivência, criamos uma sociedade onde o indivíduo autista pode ser quem ele é, com dignidade e respeito.
A informação correta é a melhor ferramenta de inclusão que possuímos. Se você deseja apoiar a causa, o primeiro passo é ouvir as próprias pessoas autistas e os profissionais que se baseiam em evidências.
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